Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026

Dados prévios do balancete contábil dos Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026. Para o s...

Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026
Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026 (Foto: Reprodução)

Dados prévios do balancete contábil dos Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026. Para o segundo trimestre, o prejuízo acumulado é de cerca de R$ 2,2 bilhões. 🔎Um balancete contábil é um demonstrativo provisório que traz a fotografia de como estão as contas contábeis de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês, trimestre ou semestre. O prejuízo do semestre é menor do que o obtido pela empresa nos últimos dois trimestres o 1º deste ano e o 4º trimestre de 2025, apontando um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira dos Correios, que teve um prejuízo recorde no 1º trimestre de 2026. Agora no g1 Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão da estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. E, segundo os Correios, as demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2026 "ainda estão em processo de fechamento". Em nota, os Correios afirmaram que a empresa não se manifesta sobre demonstrações financeiras antes de sua divulgação oficial. "As demonstrações financeiras encontram-se em fase de consolidação e serão divulgadas após a aprovação pelas instâncias competentes, em conformidade com os procedimentos de governança da empresa". As receitas obtidas até 30 de junho deste ano ficaram estáveis em relação ao mesmo período de 2025, reduzindo cerca de R$ 28,2 milhões. As despesas diminuíram R$ 1,1 bilhão. Receitas: R$ 8,18 bilhões em 2025 e R$ 8,16 bilhões em 2026; Despesas: R$ 13,5 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026. Apesar do aumento expressivo nas despesas, a estatal previa um desempenho ainda pior para o período com os gastos alcançando R$ 14,8 bilhões, desempenho de R$ 1,2 bilhão melhor do que o esperado. Desempenho das receitas Apesar das receitas dos Correios no semestre terem diminuído, alguns segmentos individuais tiveram melhora no desempenho quando analisados individualmente. O principal aumento se deu no campo da prestação de serviço de logística que a estatal oferece a empresas que envolvem o recebimento do pedido, como a preparação do pacote e envio de produtos ao comprador. A receita saiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026. Desempenho das receitas Por outro lado, as encomendas internacionais, que já representaram 22,2% de todas as receitas, agora representa apenas 4,3% do total ao atingir apenas R$ 355 milhões no semestre. O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais. O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Porém, mesmo com o fim da taxa das blusinhas, a empresa não viu as receitas aumentarem já que o programa Remessa Conforme continuou. Desempenho das despesas Com relação às despesas, os gastos com salários — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios — teve uma pequena redução de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, dando fim a uma sequência de altas com esses gastos. Ao todo, esse grupo de gastos atingiu R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Valor 15% menor do que a previsão feita para esses gastos. Com a redução dos gastos com salários, os Correios ainda conseguiram economizar com despesas atreladas, como planos de saúde e previdência, que totalizaram R$ 260 milhões a menos do que o mesmo período do ano passado. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Já os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos continuam sendo os mesmos do 1º trimestre, as financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios. 🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica As despesas financeiras tiveram um aumento de 179%, passando de R$ 590 milhões em 2025 para R$ 1,6 bilhão em 2026. Aumento de mais de R$ 700 milhões apenas no segundo trimestre deste ano e uma redução de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre. Nessa categoria estão incluídos gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim do ano passado. A operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência. Já as despesas com provisões e perdas também ficaram acima do previsto, mantendo o aumento provocado no primeiro trimestre, que sozinho foi responsável por R$ 1,4 bilhão. Até junho a conta totalizou R$ 1,6 bilhão. O montante também representa uma alta de 44,5% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 1,1 bilhão.